quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hip Hop de Brasília em Manifesto

Ocorreu este mês no Distrito Federal manifesto em repúdio ao desvio de recurso público da Feira Nacional de Hip Hop. O evento contou com participações de grandes artistas da cidade como os DJs Raffa, Jamaika, Ocimar, Marola e os Mcs Glauber, Markão Aborígine, Beto - SDR dentre outros.

Manifesto

Os grupos artísticos sociais e de militância permanentes da Cultura Hip Hop somados aos Artistas independentes, Fórum de Hip Hop do DF e Entorno e Frente Candanga de Hip Hop Contra Corrupção, erguem sua voz em protesto contra o cancelamento da 1ª Feira Nacional de Hip Hop e Cidadania:

01. O Movimento Hip Hop do DF se manifesta:

Contra a idéia de que o homem a mulher e sua livre expressão, são negociáveis.

Contra a inexistência de políticas públicas para a cultura destinadas ao aprimoramento e à melhoria das condições de vida da maior parte da população.

Contra a falta de investimento ou estímulo a grupos que tenham História de pesquisa e criação.

Contra a noção de que a cultura é um setor em segundo plano, quando sabemos que a cultura é igualmente fundamental, pois emancipadora, consome a violência e é meio para compreender e exercer a vida.

02. O Movimento Hip Hop do DF acredita que:

É urgente a criação de mecanismos regulares que assegurem a pesquisa, reflexão, transmissão, circulação de espetáculos, bem como a estruturação de espaços culturais que abarquem as necessidades reais da população. Entende-se aqui como necessidade, a construção de uma cultura participativa, orgânica, transgressora dos valores éticos e estéticos decorrentes de uma colonização histórica que determina relações de dominação até hoje. Não se pode mais ignorar o descompasso entre as necessidades criadas pelos investidores culturais ditadas pelo interesse do capital privado e as necessidades básicas da maior parte da população.

03. O Movimento Hip Hop do DF afirma:

Diante disto, nos organizamos, afirmando que, se cultura é cultivo, há a necessidade primordial de terra – espaços criativos que possibilitam o aprofundamento das relações humanas, o enraizamento, a busca da origem, frutificando reflexões críticas e a expressão do imaginário dos cidadãos.

Assim esperamos que o GDF reveja as suas ações neste final de governo em relação a "1ª Feira Nacional de Hip Hop e Cidadania" com máxima urgência.

Este manifesto reafirma nosso compromisso ético com a continuidade de uma arte mal compreendida e que ainda sofre preconceito mais não distanciada da realidade e pluralidade expressiva do Brasil, representante de uma cultura verdadeira e libertadora.

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